Corpo Tombado

Foto Fernando Frazão | Agência Brasil

Pá-pum

Mais um

Que banha o asfalto de urucum

Um zoom

E se vê

A quem pertence a casca que torna descer

*

Abolição?

Em qual nação?

Se existiu, foi só pra entreter

Intervenção Militar?

Nela que crê?

Qual privilégio quer manter?

*

Insistem em mimimi

Mas o argumento é numerado

Sem poréns, fala por si:

É preto e pobre o executado

*

Cadê o estado?

Meu povo dispersado

Segue sumindo pelo ralo

Num filtro de classe e cor

É simples apertar o gatilho né senhor?

Dizem que só a esperança é herança

E não viram a farda da escola na criança?

*

Pá-pum

Mais um

Que banha o asfalto de urucum

Algum?

Quem se atreve?

A sair da bolha que só compadece?

Não adianta fugir da cor

Se você é preto e pobre

Pode ser a próxima dor

*

Muito se divaga sobre a cura

Mas certeza mesmo é o amor

Que fertiliza

mas não reabilita

O corpo tombado que se vai

Mas possibilita

aquele que fica

A recostura de outros tais

*

E se até aqui não compreende o versos cantados

Talvez ainda nos falte mais alguns retalhos

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